domingo, 17 de março de 2013

Áreas da Psicologia


Métodos de Pesquisa em Psicologia

Ao passo em que a psicologia se distancia de suas raízes filosóficas, ela começa aplicar mais e mais os métodos científicos para estudar o comportamento humano. Atualmente, os pesquisadores aplicam uma variedade de métodos científicos, incluindo experimentos, estudos correlacionais, estudos longitudinais, e outros para testar, explica e predizer o comportamento.

Áreas da Psicologia

Psicologia é um campo muito amplo e diversificado e com o passar do tempo vimos emergir diferentes sub-campos e especializações na área psicológica. Abaixo seguem as principais áreas de pesquisa e aplicação dentro da Psicologia.
Psicologia do Anormal - É o estudo do comportamento anormal e  das psicopatologias. Aqui o principal foco é a pesquisa e o tratamento de uma ampla gama de distúrbios mentais e está ligada à psicoterapia e psicologia clínica. Os profissionais de saúde mental geralmente utilizam o CID-10 e o DSM-IV para diagnosticar distúrbios mentais.
Psicologia Biológica (Biopsicologia) - Estuda como os processos biológicos influenciam a mente e o comportamento. Esta área está fortemente ligada à neurociência e utiliza ferramentas como o MRI e PET scans para procurar por danos ou anomalias cerebrais.
Psicologia Clínica – Focada na avaliação, diagnóstico e tratamento de distúrbios mentais.
Psicologia Cognitiva - é o estudo do processo de pensamento e cognição. A psicologia cognitiva costuma estudar tópicos como atenção, memória, percepção, tomada de decisão, solução de problemas e aquisição da linguagem.
Psicologia Comparativa - ramo da psicologia relacionada ao estudo do comportamento animal. O estudo do comportamento animal pode levar a um entendimento mais amplo e profundo da psicologia humana.
Psicologia do Desenvolvimento - ramo da psicologia que pesquisa o desenvolvimento e progresso humano ao longo da vida. Suas teorias são focadas no desenvolvimento de habilidades cognitivas, morais, funções sociais, identidade e outras áreas relativas a vida.
Psicologia Forense - é um campo aplicado no uso das pesquisas e princípios da psicologia no sistema legal e criminal de justiça.
Psicologia Industrial-Organizacional - é a área da psicologia que usa pesquisa psicológica para aumentar o desempenho no trabalho, selecionar empregados, melhorar o design de produtos e melhorar a usabilidade, entre outros.
Psicologia da personalidade - pesquisa os vários elementos que formam a personalidade individual. As mais conhecidas teorias da personalidade incluem o modelo estrutural de personalidade Freudiano e o modelo dos cinco grande tipos (Big Five).
Psicologia Escolar - ramo da psicologia que trabalho dentro do sistema educacional para ajudar crianças com problemas emocionais, sociais ou acadêmicos.
Psicologia Social - é uma disciplina que use métodos científicos para estudar a influencia, percepção e interação social. A Psicologia social estuda diversos assuntos incluindo comportamento de grupo, percepção social, liderança, comportamento não-verbal, conformidade, agressão e preconceito.


Fonte: http://artigos.psicologado.com/psicologia-geral/introducao/o-que-e-psicologia#ixzz2NrWYkOcD
Psicologado - Artigos de Psicologia

Mecanismos de Defesa


Para Freud, o aparelho psíquico encontra-se bombardeado frequentemente por conflitos e situações que provocam ansiedade. Nosso psiquismo ameaçado, buscando afastar ou eliminar essa ansiedade, encontraria então meios de lidar com essa situação. Esses “meios” seriam então os Mecanismos de Defesa que surgem em pessoas saudáveis, mas que em excesso, são indicadores de sintomas neuróticos. 

São eles: Racionalização, Identificação, Negação, Repressão, Projeção, Regressão, Sublimação, Formação Reativa, Deslocamento, Introjeção e Compensação.


RACIONALIZAÇÃO
A pessoa encontra respostas lógicas tentando assim afastar o sofrimento.
IDENTIFICAÇÃO
O indivíduo assimila alguma característica de outra pessoa, adotando-a como modelo.
REPRESSÃO
Ela afasta de nossa consciencia uma idéia ou evento que poderia causar ansiedade. Esse conteúdo reprimido no entanto, não é eliminado e continua no inconsciente. O resultado seriam algumas doenças psicossomáticas que poderiam estar vinculadas à essa repressão, tais como: asma, artrite, algumas fobias e frigidez.
NEGAÇÃO
Quando ocorre algo que nos incomoda profundamente, há a tendencia a não aceitar esse ocorrido, ou lembrá-lo de modo incorreto. Podemos fantasiar também o que houve na tentativa de distorcer e minimizar assim, o impacto do evento.
FORMAÇÃO REATIVA
Há uma inversão do desejo real que é ocultado. Uma pessoa por exemplo, extremamente rígida em relação à moral ou sexualidade, pode estar ocultando seu lado permissivo e imoral.
A pessoa justifica, explica e tenta de certa  maneira usar a lógica pra disfarçar os verdadeiros sentimentos. Aquilo que não é facilmente aceito, é “explicado” numa tentativa de tornar o indivíduo mais conformado diante de determinado fato.
PROJEÇÃO
Quando o indivíduo coloca no outro, sentimentos, desejos ou idéias que são dele próprio. Esse mecanismo ajudaria então a lidar de uma maneira mais fácil com esses sentimentos. A dificuldade em admitir determinadas ‘falhas” em nossa personalidade seria projetada no outro.
REGRESSÃO
Quando a pessoa, vivendo uma difícil realidade, retorna à atitudes anteriores. O indivíduo busca uma situação ou comportamento mais infantil. A criança pode voltar a esse estágio quando nasce um irmãozinho, voltando à chupeta ou à mamadeira.
DESLOCAMENTO
Ao invés de agredir determinada pessoa (um chefe, por exemplo) a agressão é direcionada à um colega ou à um subalterno.
INTROJEÇÃO
O indivíduo toma para si características de outra pessoa. É comum ver adolescentes introjetarem características de seus “ídolos”.
SUBLIMAÇÃO
O impulso é canalizado a outros interesses. A impossibilidade de ter filhos por exemplo, é sublimada pelo afeto à bichinhos de estimação; cachorros, gatos, etc…
Todos esses mecanismos atuam inconscientemente numa tentativa de amenizar a ansiedade e diminuir o conflito interno que a situação real poderia causar ou já estaria causando.

Distimia


Muito se fala sobre depressão e já é de diagnóstico fácil e corriqueiro. No entanto, há diversas formas  clínicas de depressão que são desconhecidas pela grande maioria da população e rotuladas automaticamente como Depressão.

A Distimia é um transtorno afetivo de personalidade. É um modo de sentir e perceber a realidade de uma maneira melancólica e negativa. Não há um comprometimento severo na vida profissional e social do indivíduo, mas o estado depressivo é a tônica dessa forma de ser.

São pessoas continuamente tristes, com baixa energia, melancólicas, baixa auto-estima e pessimistas. Acentuam demasiadamente os aspectos negativos da vida enquanto os positivos passam desapercebidos e sem importância. Geralmente, não são considerados e até desvalorizados pela pessoa.

Ela pode ter uma vida familiar estável e saudável, mas nunca é vista como tal. Sempre falta alguma coisa. Nada a satisfaz.
Os aspectos negativos sempre têm seu impacto maior e se sobressaem, de modo que o indivíduo está quase sempre abatido e desanimado, por causa desses aspectos que “nunca dão certo, nunca melhoram” e que tornam a vida triste e sem graça.
Essa visão faz com que ele se sinta pouco ou nada merecedor de aproveitar e usufruir o lado positivo de sua vida.
Esse ângulo de visão interfere de alguma maneira no rendimento da vida social da pessoa, diferentemente da Depressão, que muitas vezes faz com a pessoa nem saia de casa ou até da cama.
A Distimia permite que a pessoa trabalhe, tenha sua parte de lazer, mas sempre com o lado positivo comprometido, pois há a perda da capacidade de sentir totalmente esse prazer. Há também uma tendência ao isolamento, ansiedade e muitas vezes insônia.
Em crianças, a Distimia pode estar associada ao Transtorno de Aprendizagem, acarretando um comprometimento no rendimento escolar. As mulheres têm 3 vezes mais propensão a desenvolver Distimia.. Pode ter períodos de melhora e piora, incluindo Depressão grave, caso não seja tratada. O melhor personagem para exemplificar esse quadro, seria o da Hiena: “Oh dia! Oh vida! “
As causas são diversas para seu aparecimento; desde os problemas familiares na infância com pais agressivos ou também distímicos ou depressivos.
Pode aparecer em dois momentos: Início precoce, se ocorreu antes dos 21 anos e Início tardio se ocorreu aos 21 anos mais ou menos.
Sendo um estado crônico, seu tratamento inclui medicação e psicoterapia. É importante que a pessoa procure um psiquiatra para que ele faça um diagnóstico preciso do quadro e inicie a medicação adequada. A terapia  entra como segunda ferramenta nesse tratamento.
O terapeuta poderá identificar o transtorno, mas como é necessária a medicação (e psicólogos não medicam) o psiquiatra deverá confirmar a suspeita e medicar o paciente.
Os dois juntos, levam o indivíduo a perceber o lado positivo e a viver esse lado; ou seja o tratamento permite descondicioná-la de sua visão turva e pessimista que sempre teve de vida e de si mesma.

O que a Psicoterapia não é


Muito se fala em terapia, mas muitos apenas têm uma noção vaga ou distorcida do que realmente seja uma psicoterapia. Parece mais fácil começarmos por aquilo que não é uma psicoterapia.

  1. Psicoterapia não é um bate-papo…
    Muitas vezes a pessoa diz que precisa de um terapeuta porque não tem ninguém quem converse com ela.
    A idéia é de que o terapeuta vai poder trocar idéias com ela, dizer o que acha, dar opinião, dizer o que não acha, etc… O terapeuta nunca vai poder dizer “eu acho” isso ou aquilo. Ele está ali para poder acompanhar o processo da escolha consciente do paciente, e não induzi-lo a escolher o que o terapeuta “acha” mais conveniente. Se isso realmente acontecesse numa terapia, todos os pacientes sairiam induzidos pelos conceitos e “achismos” do terapeuta, sem escolhas próprias.
  2.  O terapeuta não é apenas um ouvido.
    Faz parte do processo a escuta atenciosa do mesmo, pois durante esse silêncio e essa escuta, ele está intercalando frases ditas anteriormente, combinando associações e interpretações inconscientes e devolvendo ao paciente uma tradução desse material para que o paciente possa melhor se entender, e se conhecer de uma maneira total, e não mais fragmentada.
  3.  A terapia não se propõe a “culpar” pai e mãe do paciente, ou simplesmente explicar o porquê de determinados comportamentos e facetas desse paciente.
    A frase: “Freud explica”, é real, mas é apenas UMA das partes do processo. Se somente a explicação bastasse, não haveria mudança ou cura. A outra parte é exatamente a da mudança.
    É preciso esclarecer aqui que, muitas de nossas raízes estão mesmo na infância e somos de fato, de muitas maneiras, conseqüência daquilo que recebemos e ouvimos de nossos pais. No entanto, a terapia nos coloca como responsáveis diante de todo esse material que é nosso (e somente nosso agora nessa fase adulta), e nos impele a decidir o que fazer com tudo isso.
    Mudar ou estagnar?
    A explicação é necessária? Sem dúvida, pois identifica o “inimigo” correto, fazendo com que a partir daí, o paciente não ande às escuras sem saber onde está o inimigo. A partir desse ponto de identificação, o “tiro” é certeiro.
  4.  Terapia não significa falar somente do passado, da infância, dos pais e esquecer o agora.
    Colocar o paciente mundo real, é ajudá-lo a ver todos os lados do cubo. As situações externas precisam, logicamente, ser inseridas dentro do processo, pois fazem parte real de seus conflitos.
  5.  O terapeuta não é um “amigo”.
    Ele é próximo a esse paciente, mas está aliado ao Ego deste paciente e a indiferença e a distância (comumente observadas por eles) é necessária, pois é a partir dela, que o terapeuta reflete, entende, analisa, e dá retorno de todo esse material cifrado que lhe chega às mãos.
  6.  O trabalho do terapeuta não é simples.
    Ser objeto de transferência para outra pessoa é aceitar transferir parte de sua vida privada para que o outro reencontre, ou apenas encontre sua própria vida privada. Portanto, seu trabalho é de concentração e foco permanentes, ouvindo também aquilo que não é dito, mas transferido, projetado, etc…
  7. A terapia não transforma a pessoa em outro ser totalmente diferente do que sempre foi.Ocorrem modificações, mas não transformações radicais e absolutas. As mudanças são visíveis, são sentidas, são percebidas por outros e até provocam modificações no outro que convive com este paciente.

ciúme entre o irmão


É notório que muitos irmãos são verdadeiros amigos, ao passo que alguns, se não são declarados, são camufladamente “inimigos”, ou pelo menos adversários. O ciúme entre o irmão mais velho e o irmão mais novo pode chegar a extremos. Precisamos estar atentos e tomar cuidado com nossa atitude como pais. A comparação é uma das atitudes que devemos evitar. Portanto, avalie qual tem sido seu comportamento em relação à comparação, e esteja pronto para mudar!

Quando pensamos sobre o comportamento entre irmãos, como: ciúme, inveja, rivalidade, competição, etc. , pensamos sempre como comportamentos anormais e negativos. O ciúme, é visto como algo totalmente condenável e proibido entre irmãos, principalmente, em relação ao irmão mais velho, quando nasce o segundo filho.
Muitos pais chegam mesmo a dizer ao filho, que o ciúme é feio, que não deve nunca existir em relação ao irmãozinho e que esse irmãozinho veio para brincar com ele, ser seu amigo e companheiro nas brincadeiras. Isso é verdade, mas existe também uma outra verdade que nunca dizemos, mas sabemos. Esse irmão veio para dividir com ele o amor da mãe, do pai, dividir a casa, às vezes o quarto, os brinquedos, a atenção dos parentes, etc.
A criança percebe essa verdade, no momento em que a mãe chega da maternidade com o bebê no colo. O colo já começa a ser dividido desde então. O ciúme nesse caso, é esperado e, portanto, normal. O anormal seria que esse irmão mais velho não sentisse rivalidade nenhuma por esse bebê que chega e o tratasse amigavelmente. Caso isso acontecesse, poderíamos dizer que essa atitude seria estranha e preocupante porque não faz parte da índole da criança, e que obviamente, ela deveria demonstrar esse ciúme alguns momentos.
Tanto o ciúme quanto a inveja, quando intensos, são fonte de grande ansiedade. O ciúme na criança, quando não é muito forte, é característica normal da persona1idade. Envolve rivalidade sadia e quando surge no relacionamento com irmãos, é um treino preparatório da fase competitiva, que mais tarde ela precisará enfrentar no ambiente social e profissional.
As manifestações mais comuns do ciúme são a hostilidade e o ódio. A hostilidade pode oscilar entre leves manifestações de implicância e pequenas agressões até uma completa intolerância para suportar a presença do irmão; onde o desejo é o de “eliminar” o objeto odiado.
O ciúme pode, também, se manifestar de maneira indireta:a criança experimenta ansiedades, dirigindo sua hostilidade abertamente contra o irmão. Pode voltá-la contra si mesma, ou contra o ambiente.
Pode haver também uma regressão: manha, revolta, agressão contra os pais, inapetência (falta de apetite), fracasso nos estudos ou recusa em crescer (independência). Quando essa fase se estende muito, pode ameaçar o equilíbrio da personalidade infantil, levando a distúrbios, como: sinais de ambivalência e indecisão, dificuldade em tarefas que exijam capacidade de abstração ou chegar a conclusões com clareza.Como característica do comportamento desse irmão ciumento, pode surgir o oposicionismo que é dirigido contra os pais. Por exemplo: os pais gostariam que ele fosse bom aluno, fosse disciplinado, etc. e a criança reage ao contrário, opondo-se a essa expectativa e assim atraindo a atenção tão desejada dos pais.
Existem também os mecanismos passivos: a criança interioriza sua hostilidade, mas é vítima de maior carga ansiosa. Aparecem os tiques nervosos, a fala “tate-bi-tate” (em idade em que a linguagem já tenha sido estabilizada e a criança já venha se expressando com facilidade). Volta a molhar a cama ou querer que lhe dê comida na boca.
Outra forma passiva, é quando a criança fica apática, apagada, preguiçosa, sem entusiasmo. Pode bloquear-se afetivamente, sufocando junto com a inveja e o ciúme, o amor. Deixa de ter reações amorosas com familiares e irmãos. Desde que a afetividade e a inteligência estão intimamente ligadas e interdependentes, a produção e o rendimento dessa criança costuma ser precário.
Outro mecanismo passivo, é a própria desvalorização. A criança acha-se inferior e, portanto, se anula. Essa atitude determina reações depressivas que são autodestrutivas. Deve-se, nesse momento, canalizar essa agressividade adequadamente, valorizando seus sucessos numa escolinha de natação, ou outra atividade qualquer onde a criança se destaque com desenvoltura. Ela deve ser estimulada a fazer novas amizades e a freqüentar outros lugares diferentes daqueles do irmão. As comparações, obviamente, devem ser evitadas. Inevitavelmente, elas ocorrerão, mas espera-se, vindas de fora.Dizer que um dos irmãos é mais inteligente, mais carinhoso, etc., não servirá de estimulo ao outro irmão; muito pelo contrário, só fará com que ele se sinta humilhado e inferiorizado. Mais tarde, é provável que se torne num adulto que se julgue pouco inteligente ou pouco afetuoso, bloqueando-se nessas áreas; o que não é incomum. Com freqüência encontramos adultos ou adolescentes que se julgam feios, incapazes ou pouco criativos porque sempre foram comparados ao irmão. Comparações desse tipo minam traços do caráter da criança e podam seu desenvolvimento.
Outra situação de rivalidade pode surgir, quando um filho é mais rebelde do que o outro. O rebelde é sempre alvo de maior controle em relação a estudo, tipos de brincadeiras e raramente é deixado sozinho por muito tempo. O outro filho sente-se rejeitado e pouco importante. O filho que não dá trabalho, que é responsável, que é dócil, deve receber a mesma atenção cuidadosa, com tempo especial também para conversas e brincadeiras.
Não quero dizer que o ciúme e a inveja precisem ser apagados e impossibilitados de aparecerem. Em diferentes situações eles aparecerão, mas bem solucionados não trarão conseqüências desastrosas como as acima.
Como podem ser bem solucionadas?
Uma solução, está no que se refere às personalidades dos filhos.
Os pais devem identificar e realçar as características positivas de cada um.
As habilidades e talentos devem ser sempre valorizados e nunca comparados.
Quando um dos filhos é mais carinhoso, mais amoroso com os pais, geralmente os conquista com mais facilidade. Os pais se “derramam” na resposta desse afeto e tendem a comparar tal procedimento com a frieza e distância do outro filho. Essa característica, quando é observada por familiares e amigos, em vez de estimular essa afetividade, só ajuda a reprimi-la.
Lembre-se que, a habilidade e o equilíbrio de elogios e estímulos, é uma excelente alavanca para fortalecer e ajudar os filhos a suportarem suas diferenças.
Artigo publicado originalmente na revista Casal Feliz (Ano XII – no.46)

auto boicote


Exemplos de autoboicote:

-Homem abandona família, mas foi exatamente isso que ele prometeu não fazer, porque seu pai havia feito a mesma coisa - e ele sabia o quanto isso repercute negativamente na vida de um filho, mas ainda assim repetiu o mesmo comportamento que tanto odiou.
-Mulher troca de namorado... troca de namorado... , mas  a cada troca arruma outro igualzinho ao anterior, com os mesmos defeitos.
-Homem trabalha junto a um chefe difícil de agradar... esse chefe é igualzinho ao seu pai. Coincidência?
Coincidência ou auto-sabotagem? São comportamentos repetitivos. Tendência a repetir atitudes destrutivas.

Comportamento automático repetitivo

Você escova os dentes todos os dias, certo? Se eu lhe perguntar se escovou hoje talvez tenha que pensar. Lembra se fechou a porta hoje? Porque não lembra? Porque esse é um comportamento repetitivo e automático. Os comportamentos automáticos não são realizados com total consciência.
Esquecer de escovar os dentes é um comportamento inofensivo, não haverá danos maiores, mas há comportamentos repetitivos que nos destroem e não percebemos. Como no exemplo da mulher que só arruma namorado que a trai. Será que 100% dos homens traem, ou 100% dos homens que ela escolhe traem? Mas, porque ela faz isso? Ela QUER ser traida? Claro que não, pois sofre com isso. Então porque ela faz isso? Resposta comportamento automático de  auto sabotagem .

Como nos sabotamos?

Nós nos automatizamos. Quando trocamos a marcha do carro não pensamos: “Agora está na hora de pisar na embreagem e trocar de segunda para terceira” Simplesmente trocamos, por quê? Porque aprendemos a automatizar comportamentos, precisamos disso. O problema é quando automatizamos comportamentos que nos destroem.
O problema é quando, por exemplo, explodimos e depois vemos que estamos acabando com nossos relacionamentos por explodir tanto. “Mas eu não consigo parar de explodir. Porque faço isso?” Porque você se auto-boicota. Você se auto-sabota. Destrói a própria vida e não percebe a sua responsabilidade nisso tudo.
Algumas repetições destroem a vida da pessoa. Algumas deixam a pessoa muito frustrada consigo mesma.
Outro exemplo: Você já comeu um ovo de páscoa inteiro, nem está mais gostando de comer tanto chocolate, mas continua até se empanturrar e se arrepender de ter comido tanto? Isso é auto-sabotagem.
Veja o exemplo do homem que trai sua esposa com pessoas que nem são tão importantes assim, mas ele continua nesses relacionamentos sabendo do risco de acabar seu casamento, e acabar por nada, por alguém que não significa muito. Porque ele continua nesse ciclo vicioso? Porque ele faz coisas que destroem a própria vida? A resposta é: Auto sabotagem.
Porque a mulher que tinha um namorado agressivo, troca de namorado e arruma outro também agressivo? Seu pai era agressivo. Será coincidência?
Muitas vezes repetimos eternamente padrões da infância, mesmo que esses padrões estejam prejudicando nossa vida. Repetimos o que já conhecemos por dificuldade em lidar com novidades, mesmo que este velho conhecido seja muito destrutivo.

Como mudar?

Encarar o ciclo da repetição é o primeiro passo para superação.
Percebe que você está trocando de mulher, mas toda vez está com o mesmo tipo de mulher.
Percebe que troca de namorado, mas está sempre com a mesmo tipo de pessoa sem atitude.
É o comerciante que está sempre arriscando um novo negócio, que nunca dá certo, mas quando vai ver lá está ele de novo fazendo a mesma coisa.
Sabe aquele amigo que vive te pedindo dinheiro emprestado e nunca devolve mas você continua emprestando? Porque você faz isso? Por pura auto sabotagem.
Sabe aqueles finais de semana inteiros que você passa no sofá e, no domingo à noite se arrepende por não ter feito nada que preste. Promete que no próximo fim de semana vai ser diferente, mas no próximo faz tudo igual. Porque ? Auto sabotagem!
São vidas infernizadas pela compulsão da repetição. Uma necessidade inconsciente de repetir um comportamento mesmo que destrua a felicidade ou a vida de alguém ou a sua própria.
Observe a pessoa que não consegue administrar seu tempo, que sabe fazer as coisas mas simplesmente não consegue colocar a vida em ordem, você verá que esta pessoa teve um pai que cobrava exageradamente, que  queria que ela fosse a mais competente do mundo. O que faz com que esta pessoa seja tão desorganizada hoje é a briga que continua mantendo com o pai, que talvez esteja até morto hoje. Quem influencia não é o pai, mas a figura internalizada do pai.
É possível que uma hora a pessoa consiga se dar conta disso e reconheça esse ciclo de repetições? É possível romper esse ciclo? A resposta é SIM, mas concordo que não é fácil. Pois se a pessoa passou uma vida construindo uma percepção equivocada  terá  medo de mudar, de contestar o que sempre foi uma lei.
Um exemplo é uma paciente que ficou totalmente desestruturada depois que assistiu na TV a reportagem sobre a queda de um avião. Ela não costuma viajar de avião, não conhecia ninguém daquele avião, e nem as pessoas de seu convívio costumam viajar de avião. Mas porque então ela ficou tão chocada, abalada, sem sequer conseguir sair de casa direito depois daquela noticia? O entendimento disso veio quando na terapia ela percebeu que esse mesmo sentimento de terror apareceu quando foi abusada sexualmente na infância. Era o mesmo desespero, o mesmo desamparo. Não era à toa que a queda do avião tinha mexido tanto com ela. É o mesmo ciclo de repetição que agora funciona como auto sabotagem.
As pessoas enterram as situações traumáticas de suas vidas, mas não significa que elas estejam mortas. Elas continuam como se fosse uma marca indelével. Essa moça já foi uma criança indefesa e frágil, mas agora adulta continua emocionalmente frágil, carregando dentro de si essa menina assustada. Ela não sabia por que, não sabia explicar. As crianças não conseguem controlar suas vidas, e ela se sente ainda hoje como se ainda não pudesse controlar sua vida.
É por isso que é muito difícil identificar o conteúdo interno, porque a pessoa passa anos tentando oculta-lo, não só dos outros, mas tentando ocultar de si mesma. Se estava escondido é por uma boa razão, por isso é preciso muita responsabilidade do psicólogo que vai desenterrar tudo isso. Avalie bem o psicólogo para quem você está entregando a sua cabeça, com que você vai fazer terapia e que tipo de terapia vai fazer.
Identificar quais são os entraves de sua mente é só uma parte do processo que por si só não muda muito em você, mas é o começo. A parte mais importante e que vai realizar mudanças em seu comportamento é o desenvolvimento de uma nova forma de ver o mundo, falo das mudanças nos padrões de comportamento. O psicólogo é a pessoa para tornar esse processo possível. Para lhe ensinar estratégias que promoverão as mudanças em todo sistema de autoboicote que você quer em sua vida.
Antigamente o psicólogo era daquele tipo que aparece nos filmes mal feitos e novelas da TV. Ficavam calados só te ouvindo sem dividir seus pensamentos e conclusões. Hoje com a Terapia Cognitiva Comportamental o psicólogo é muito mais participativo. Eu vivo junto com o paciente as transformações de cada um, dou exercícios para  fazer em casa e acompanho de perto cada passo.

Para vencer o autoboicote  é necessário um novo modo de lidar consigo mesmo e com o mundo

Por exemplo, o caso da garota que se reprime e não vai fazer academia, por mais que ela queira fazer sua ginástica, emagrecer, ficar com o corpo bonito  pensa que se for para a tal academia as pessoas vão olhar pras suas roupas, acredita que vão cochichar entre elas e dizer que ela está ridícula, crê que vão rir dela, e no fim acha que não vai conseguir fazer nenhum amigo porque todos já estarão enturmados, e se sente um peixe fora d’água, se autoboicota e não se matricula na academia.
E você?  Está repetindo algum ciclo vicioso? Isso é auto sabotagem. Você quer e precisa fazer academia (curso, ir ao teatro, jogar futebol, fazer amigos, paquerar, etc), mas não faz? Porque sua cabeça está ocupada demais preocupada com o que vão pensar de você. O autoboicote fica mais importante do que cuidar de si mesmo. É justo? Não. Absolutamente não.

Porque as pessoas se auto sabotam tanto?

Talvez elas tenham vivido uma infância inteira se sentindo inadequadas. Talvez tenha havido pessoas fazendo-as se sentirem sem direitos, sem direito de se expressar, ninguém nunca as viu como pessoas interessantes. E é assim que elas se sentem. As mosquinhas do cavalo do bandido.
Por conta desse sentimento de auto boicote que recebo muitos pacientes me contando, por exemplo, de marido agressivo. Ela passa uma vida toda, semana após semana sendo agredida pelo marido. Mulheres que tem toda condição financeira de manter-se sozinhas, mas não tem condição emocional para ficarem sozinhas, então vivem com o inimigo num processo de total auto sabotagem. Porque ela repete isso? Com certeza teve em sua vida alguém significativo que a ensinou a agüentar agressões, a suportar quieta essa pessoa a fez acreditar que ela não é ninguém, que ela só vai conseguir uma migalha de amor, e pra conseguir essa migalha de amor precisa suportar o que quer que seja. Então ela passa a vida suportando agressões, e até procura, inconscientemente claro, pessoas que a agridam, para manter o esquema de auto-boicote. Tudo só porque ela acreditou que essa seria a única forma de receber um mínimo de amor.

Como funciona a terapia nos casos de autosabotagem?

Perceba que nada disso precisa continuar. Você pode mudar esses esquemas e acabar com auto-sabotagem. A Terapia Cognitiva Comportamental ensina estratégias pra que você supere. Existe até lição de casa pra você praticar um novo modo de funcionar.
As pessoas se autoboicotam porque existe uma compulsão a repetição. Internamente essa repetição é a única forma de viver razoavelmente bem. É por isso que ela precisa do olhar de um profissional treinado. Alguém que veja sua estória com clareza.
As pessoas resistem em fazer terapia porque acreditam que não há chance de sair dessa. Crêem não haver esperança pra esse sofrimento. Mas há. Não se tratar é ser covarde pra encarar a mudança.
Pense bem, se você tem a oportunidade pra fazer mudanças na sua vida, por que arruma desculpas? Diz coisas como: não tenho tempo, não tenho dinheiro,  mas dali a pouco está comprando o ultimo modelo de celular, está comprando mais roupas do que  cabe no guarda roupa, está  gastando com restaurantes, mas pra se cuidar não tem dinheiro. Pra mudar seus padrões de pensamento e comportamento que estão destruindo sua vida não disponibiliza nenhum recurso. Você está sendo justo consigo mesmo?
Para entender como a repetição de comportamentos, ou seja a auto-sabotagem, começa vamos lembrar daquela menina que usava os sapatos da mãe quando cresce é claro que vai ter o mesmo estilo de se vestir da mãe. O garoto que passou todas as férias da sua infância indo para praia. Quando cresce vai levar sua nova família para a mesma praia (par o desespero desta família). Essa pessoa não tem espaço para  mudanças, e nem para imaginação.

Porque as pessoas repetem e repetem as mesmas coisas?

Porque elas aprenderam que essa era a coisa certa a fazer. Talvez sua família tenha zombado das pessoas que faziam as coisas de forma diferente, e assim como criança aprende que só há uma forma de fazer as coisas, que será da forma que sua família fazia. Os pais são alcoólatras e a casa é uma bagunça, então a criança entende que é assim que as casas devem ser.
Só quando a criança cresce e observa outros estilos de vida é que pode perceber que o estilo da sua casa não é o único nem o melhor. Mas mesmo assim muitos não mudam. Por quê? Por que a família já ensinou que ele só vai receber amor e atenção se continuar a repetir o padrão de sua família. É como se dissessem “só vou gostar de você se você for igual a mim”. Mesmo que não digam em palavras. A tragédia acontece quando a pessoa topa e passa a repetir o que os pais faziam, sempre tentando alcançar o amor e a aceitação.
Muitas vezes as pessoas vêm para terapia porque estão com dificuldades em seus casamentos, dificuldades no trabalho, dificuldades em relacionamentos sociais, e nem percebem qual foi o inicio disso tudo. O que acontece é uma imensa confusão interior.
Essas são aquelas pessoas que casam com alcoólatras depois de terem sofrido anos com pais alcoólatras. Não entendem como entram em uma fria atrás da outra, não entendem como continuam a comprar o que não precisam e não podem pagar. Tudo isso tem o nome de auto sabotagem, e você só sai dessa quando entender a sua dinâmica interna e aceitar a possibilidade de mudança.
Quer ajuda neste processo? Conte com seu psicólogo.

TAG


TAG - Transtorno de Ansiedade Generalizada

TAG é um transtorno de   ansiedade   que se caracteriza por preocupação excessiva, desproporcional ou sem motivo.
Freud deu um nome interessante para TAG: “neurose da angustia” - se refere a ansiedade generalizada e persistente.
Esta   ansiedade  é acompanhada por sintomas físicos que causam prejuízos sociais, abrangendo até mesmo as relações de trabalho e familiares além de acentuado sofrimento psíquico devido à intensa auto observação.
Como o estado de ansiedade perturba a visão que a pessoa tem a respeito de si mesma e a respeito do que acontece no ambiente é necessário que esse diagnóstico seja sempre feito por um psicólogo. Pois assim este psicólogo poderá identificar, dentro do que é descrito pelo paciente, o que é percepção distorcida pela ansiedade e o que pode ser realidade.
O transtorno de ansiedade generalizada costuma ser crônico e duradouro, mas com pequenos períodos de remissão dos sintomas. Geralmente leva o paciente a sofrer com   estado de ansiedade elevado durante anos.
É diferente da   ansiedade   comum. As pessoas com TAG não costumam buscar ajuda de um psicólogo, pois ao perceberem uma série de sintomas somáticos, como fadiga e insônia, procuram por um médico acreditando tratar-se de doença orgânica e não psicológica. Além disso, as pessoas com TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada - costumam se sentir deprimidas, desmoralizadas, são socialmente ansiosas, e com isso este quadro acaba sendo considerado o problema principal mantendo o TAG sem tratamento.
Transtorno de Ansiedade Generalizada trata-se de uma ansiedade bastante severa onde sofre-se de expectativa apreensiva e excessiva. Para ser considerado TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada – os sintomas devem estar presentes na maioria dos dias, por mais de seis meses e prejudicando áreas importantes da vida como trabalho, estudo, vida familiar, etc.
Portador de TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada - é a pessoa que se preocupa tanto que acaba não conseguindo nem controlar a preocupação, nem resolver o problema.
TA  é o quadro onde aparecem sintomas de ansiedade, preocupação crônicos e falta de controle sobre estas preocupações. Algumas pessoas apresentam medos difusos outros tem preocupações bem específicas que podem ser medo de fracassar, preocupação com suas finanças, com saúde, etc. A pessoa passa a sofrer loucamente com estas coisas, não é capaz de chegar a uma solução, não é capaz de tomar uma decisão, ou de atuar de forma decidida e viver com tranqüilidade, ao contrário, fica dando voltas e voltas, só pensando em tudo o que pode estar errado,   nas dificuldades reais e imaginárias. Ao invés de chegar a uma solução eficiente fica se torturando com todos os erros que cometeu no passado e que pode cometer agora.  Ou seja a pessoa não consegue se concentrar no que de fato é relevante. Dormir não serve de descanso pois muitas vezes não consegue pegar no sono porque a cabeça fica trabalhando a mil por hora lembrando tudo o que de ruim já aconteceu e o que pode acontecer amanhã, depois de amanhã, e pro resto da vida. E quando dorme é um sono perturbado, e acorda cansado, com aquela sensação de apreensão.

Preocupado

O preocupado crônico está em eterno estado de alerta, sempre preparado pra fugir de algo, mas à toa, porque não nem nada de real de onde fugir. Ele prepara o seu corpo para ação, sente tremores, tensão, dor muscular, principalmente no pescoço, costas e ombros. É uma espécie de inquietude, e uma tendência a ficar casado o dia todo.
Pode também aparecer os sinais de ativação do sistema nervoso simpático, o coração trabalha mais, dá palpitações, a pessoa chega a sentir o coração batendo no peito. Outros sentem uma pressão no peito, uma dificuldade pra respirar, falta de ar, sensação de que está se afogando. Dificuldade pra engolir. Rajadas de calor ou de frio. A pressão sobe. Pode  aparecer náuseas, gastrite, diarréia, etc. etc.
As pessoas que sofrem com TAG mantém preocupações crônicas e excessivas com prejuízos emocionais e fisiológicos, ou seja tanto a mente como o corpo padecem. E pode  acabar provocando outros problemas em decorrência da TAG, e os mais comuns são depressão, ataque de pânico, abuso de drogas ansiolíticas e até de álcool. Ou seja, a qualidade de vida da pessoa fica deteriorada pela ansiedade e pelos problemas comórbidos, que são estes que eu mencionei agora como a depressão o pânico,etc.

Ansiedade é o mesmo que preocupação?

Muitos definem a preocupação como ocupar-se de coisas antes delas acontecerem, mas é mais do que isso. Preocupar-se é fazer previsões negativas que nem sempre são tão prováveis assim. Por exemplo, preocupação com uma viagem constitui-se de fazer previsões quanto á algo dar errado com o hotel, achar que o carro pode furar o pneu, que pode acontecer um acidente. Vejam que tudo isso até que pode haver uma base verdadeira – nada disso é impossível de acontecer, mas desistir da viagem, ou sofrer com a viagem por causa dessas possibilidades, tão pouco prováveis, é sofrer inutilmente.
Há dois aspectos com a preocupação muito interessantes:
a-      Considerar que coisas muito ruins vão acontecer;
b-      Crer que não   terá condições para enfrentar essas coisas horríveis que imaginou.
Ansiedade patológica é imaginar que, por exemplo, você não conseguirá falar com aquela pessoa porque ela não vai lhe dar  mínima atenção, e vai ser tão horrível que você não suportará. Ou seja, as pessoas que se preocupam muito são especialistas em descobrir tudo quanto é problema, que muitas vezes nem existem, e  se sentem incapazes de encontrar solução pra esse monte de problemas ou de enfrentá-los de uma forma equilibrada.

Ao identificar o Transtorno de Ansiedade Generalizada percebemos três destes seis sintomas:

1-      Inquietude - sensação eterna de ter algo para fazer e não sabe o que.
2-      Fatigar-se facilmente - quase que nem começou o trabalho e já está morto.
3-      Dificuldade para se concentrar - não conseguir ler um livro porque os olhos passam pela página mas não sabe nada que estava escrito, ou ter a mente em branco, a cabeça longe, no mundo da lua.
4-      Irritabilidade - alguém falou uma coisinha e você já tem vontade de mandar a pessoa pra longe.
5-      Tensão muscular - aparece na forma de dor nas costas, nos ombros, nas pernas.
6-      Perturbação do sono - dormir demais ou de menos, acordar no meio da noite ou não conseguir iniciar o sono.
É comum a pessoa que passa por esse quadro dizer que está estressada. Não deixa de estar certa, mas estresse não é um diagnóstico muito preciso, pois estresse você alivia diminuindo o ritmo de trabalho, mas a TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada - não. Não adianta tirar férias porque você leva o problema para a  praia, para o campo, para onde você for.

Preocupação típicas do Transtorno de Ansiedade Generalizada

Família, questões econômicas, trabalho, doenças, e relacionamentos com outras pessoas.
Não digo que não devamos nos preocupar com essas coisas, mas uma coisa é a preocupação que te ajuda a enfrentar e resolver os problemas e outra é a preocupação que te paralisa e só faz o problema aumentar cada vez mais.
Por exemplo, preocupação normal com a saúde, a pessoa se agasalha antes de sair de casa. Preocupação patológica, deixar de trabalhar porque está frio demais e pode pegar um resfriado.
A preocupação ou   ansiedade   normal em, por exemplo, apresentar um projeto na reunião do trabalho faz a pessoa caprichar e se dedicar para ter uma boa apresentação. Mas a preocupação patológica faz a pessoa gaguejar, suar e realizar uma péssima apresentação onde ninguém aprova sua idéia de tão mal apresentada. Preocupação normal com a família é ligar de vez em quando para saber se está tudo bem, mas preocupação patológica é acordar no meio da noite pensando que pode ter acontecido alguma coisa com seus pais.
Uma coisa muito interessante com o portador de TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada - é que ele não tem dificuldade em encontrar solução para seus problemas, ele sabe tudo o que deveria fazer, mas tem uma dificuldade enorme em aplicar esses conhecimentos. Aliás, o portador de TAG é até capaz de dar ótimos conselhos para os outros, só não consegue aplicar pra ele mesmo. Por exemplo, um rapaz que está paquerando uma garota e muito preocupado em conseguir sair com ela. Ele sabe que tem hora pra tudo, mas acaba ligando pra moça às três da madrugada dizendo que está apaixonado por ela - é claro que ela vai se assustar e vai cair fora. É claro que quando se está ansioso demais tudo dá errado.
Isso acontece devido a uma característica muito interessante desse quadro chamada    intolerância á incerteza   . Ou seja, a pessoa não admite ter que esperar por algo, não admite que nem tudo depende dele, não admite não ter certeza de tudo. Simplesmente não suporta a incerteza.

Porquê as pessoas se amarraram tanto em preocupações sofridas e inúteis?

Por causa das famosas crenças internas disfuncionais -   aqueles pensamentos que as pessoas põem na cabeça que atrapalham tanto e são tão difíceis de se livrar. Como por exemplo, a crença de que a preocupação o ajuda a se sair melhor na vida - ele acha que quanto mais se preocupar mais fácil para encontrar as soluções dos problemas. Ele acha que quanto mais preocupado tiver mais controle terá da situação. Doce engano. E tem também as pessoas que acham que quanto mais preocupados ficarem mais conseguirão evitar que coisas ruins aconteçam. De novo, doce engano.

Vigilância e Evitação

São dois comportamentos típicos do portador de Transtorno de Ansiedade Generalizada. Aquele que é intolerante às incertezas se torna vigilante, sempre alerta e preocupado com o que de ruim pode acontecer. Aquele que é intolerante á excitação emocional, ou seja não suporta passar por emoções mais fortes então evita, foge, cai fora de tudo quanto é situação que pode mexer uma pouco mais com ele. Alguns flutuam de um comportamento extremamente vigilante para outro de extrema evitação. Ou seja, ou fica assustado, em estado de alerta, ou foge da situação como se fosse uma catástrofe.
O interessante é que a vigilância diminui a incerteza, mas aumenta a excitação emocional, e a evitação diminui a excitação emocional mas, aumenta a incerteza. Ou seja, nem a vigilância nem a evitação te ajudam no controle da ansiedade.
Esses dois comportamentos só aumentam a ansiedade e a preocupação. Quanto mais você se torna um vigilante, alerta a tudo quanto é perigo, mais você vê perigo onde não tem. Ex: seu filho vai pra uma festa e você fica em casa feito louco sofrendo e ligando pra ele de meia em meia hora até ele voltar. Ou seja, quanto mais atento você estiver às ameaças, mais você verá ameaça onde não tem.
Por outro lado, aquele que evita as situações de tão preocupado e ansioso só vai aumentado cada vez mais essas preocupações porque   não se dará chance de ver que o bicho não é tão feio assim. Quanto menos você enfrentar pior fica. Ás vezes uma coisa que pode ser resolvida facilmente acaba se tornando um problema maior, por não ter enfrentado quando estava menor. Por exemplo, aquele que não vai ao médico com medo de ouvir que tem algo muito ruim, e quanto mais deixa passar o tempo aumentará a probabilidade de se deparar com quadro complicado de lidar.
O interessante é como a cabeça das pessoas são “boas” pra arrumar lógica onde não existe. Por exemplo, o caso de uma senhora que se preocupava demais com a saúde do neto, foi viajar e quase nem desfrutou direito da viagem achando que poderia acontecer algo ruim com ele, mesmo ele estando com os pais que são pessoas competentes. Quando voltou da viagem viu  que o neto estava bem e finalmente ficou aliviada. Mas por coincidência logo depois este neto ficou doente. Pronto! Na cabeça dela o neto só ficou doente porque ela parou de se preocupar, e isso “provou” que ela não deve parar de se preocupar com ele.  Você imagina o sofrimento que deve ser levar uma vida assim?

Dois tipos de preocupação

1º preocupação com o que pode acontecer e o 2º que é o preocupar-se com a própria  preocupação, isto é, a pessoa acha que pode perder o controle por se preocupar tanto, que é a sensação de quem sofre de pânico, ela acha que vai enlouquecer de tanta ansiedade. Sente que a própria preocupação o deixará doente.
O pior é quando a pessoa parece que gosta de se preocupar, acha que se preocupar é bom porque assim pode evitar o pior, ou está se redimindo de culpas.
As pessoas com TAG estão em menor contato com suas próprias  experiências afetivas. Evitam, até sem perceber, as emoções do dia a dia, talvez estejam evitando algo mais profundo, medos, traumas passados, relacionamentos que teve a algum tempo. Por ex uma senhora que se preocupava exageradamente como casamento do filho, descobriu-se que na realidade, ela tinha medo que seu filho não estivesse firme em seu emprego e acabaria tendo que morar com ela e a nora em sua casa e assim teria que sustentar a todos, o filho se tornaria um alcoólatra a acabaria sendo um miserável. Sendo assim fica até mais leve se preocupar só com o casamento, mesmo que seja uma preocupação desenfreada, do que pensar que seu filho poderia se tornar um miserável.
Outra teoria é que a TAG poderia servir para distrair de eventos do passado muito tristes, assim substitui-se uma preocupação que seria muito mais difícil de lidar com outra mais superficial e até banal, mas que acaba sendo de uma intensidade tal que atrapalha toda a vida da pessoa. É o tiro saindo pela culatra.
A terapia ensina a pessoa a se focar no presente, e não no passado nem no futuro.

As preocupações do TAG - Transtorno de Ansiedade Generalizada - podem ser divididas em três categorias, e cada uma delas exige um tratamento diferente

1-Problemas que estão ancorados na realidade e são modificáveis.
2-Problemas ancorados na realidade e não são modificáveis.
3-Acontecimentos muito improváveis que não se baseiam na realidade e por isso não podem ser modificáveis
O 1º - Problemas que estão ancorados na realidade e são modificáveis. Temos como exemplo preocupações referente a alguma discussão que a pessoa teve com alguém, algum desentendimento, ou preocupação em se vestir de forma apropriada para uma determinada situação, chegar a tempo num compromisso, consertar o carro, fazer uma reforma em casa, tudo são preocupações baseadas em coisas que de fato estão acontecendo, podem ser modificadas, mas ainda assim quem sofre de TAG ainda passa por essas coisas como se fossem verdadeiras catástrofes em suas vidas, e a gente percebe isso quando a pessoa conta que está passando por esses problemas e no rosto dela você já sente o sofrimento, e vê como ela se comporta de forma totalmente ineficiente com relação à essas questões que seriam relativamente simples.
O 2º tipo de preocupação se refere á problemas ancorados na realidade e não são modificáveis, como por exemplo a morte de uma pessoa querida, a pobreza no mundo, guerras, aumento da violência, injustiças. Existe uma quantidade de pessoas muito grande que sofre intensamente, e sinceramente, com as mortes que ele assiste na TV, tudo bem, todos temos uma sensibilidade que pode até ser bonita, mas quando essas sensibilidade te deixa de luto e talvez a pessoa não vá trabalhar depois da queda do avião da TAM, mesmo que não haja ninguém conhecido neste vôo, aí podemos pensar sim num quadro clínico bem pesado. Há que se trabalhar essa ansiedade desproporcional.
0 3º tipo se refere às pessoas que se preocupam com coisas que além de serem altamente improváveis, não se baseiam na realidade e portanto não pode ser modificável. Como por exemplo, o medo de virar um mendigo, ou medo de ficar gravemente doente quando não se tem nenhum indicio de problema de saúde.

Crenças que fazem as pessoas manterem suas preocupações como se fossem suas melhores amigas

Muita gente não se livra da preocupação porque acha que ter preocupação é bom. Existem várias crenças que a pessoa vai aprendendo desde a infância, como por exemplo:
- Crença sobre as pessoas despreocupadas serem “cabeça de vento”, ou seja, para ser digno e respeitável tem que ser uma pessoa que se preocupa, e quanto mais se preocupar mais digna será a pessoa. Esse é o tipo de crença que faz as preocupações grudarem em você.
- Crença sobre ser bom preocupar-se porque quanto mais a gente se preocupa mais se “evita que algo ruim aconteça”, quanto mais eu me preocupar com a prova melhor eu vou na prova. Quanto mais eu me preocupar com a saúde da minha mãe mais eu estou garantindo que ela não vai ficar doente nunca. Sabemos que é pura bobagem, quanto mais você se preocupa com a prova mais ansioso e tenso fica, e mais difícil de responder a tal da prova e quanto mais você se preocupa com a saúde da sua mãe mais você está debilitando a sua própria saúde.
- Crença que diz que a preocupação alivia a culpa. Algo do tipo “Eu não sou responsável pelo casamento ter dado errado porque eu me preocupava com o casamento”. Sabemos que não é bem assim, não é só porque você se preocupou com uma coisa é que você fez o que era realmente o melhor para a coisa.
- Crença onde preocupação pode te distrair de preocupações maiores. Por exemplo, enquanto você está loucamente preocupado com as vitimas do avião da TAM você não precisa se preocupar com aquele trabalho que já está com o prazo estourado pra entregar.
- Crença de que quanto mais você se preocupar com uma coisa mais facilmente encontrará a solução dessa coisa. Quanto mais eu passar as noites em claro procurando uma saída para meu problema mais perto estarei da solução. Outra bobagem, porque quanto mais noites em claro mais fraco você fica para resolver qualquer coisa.
Por exemplo, um paciente que tinha duas preocupações muito fortes, a primeira o medo de ficar gravemente doente e a segunda que alguém da sua família pudesse ficar gravemente doente. A preocupação com a própria saúde era justificada dizendo que ele precisava saber de qualquer doença o quanto antes, e se ele não se preocupasse poderia passar desapercebido pelos primeiros sintomas de algo muito grave. Quanto a preocupação da doença de alguém da família ele acha que era útil porque se realmente alguém ficasse doente ele não se sentiria culpado porque tinha se preocupado antes, então estaria tudo bem, para ele pelo menos.
Viram? Como a cabeça do ser humano consegue dar tantas voltas procurando sofrimento. É claro que pra amenizar temos que trabalhar essa cabeça através da terapia.

Como uma pessoa adquire o Transtorno de Ansiedade Generalizada?

Muitas vezes é característica que existe em sua personalidade ou seja, desde que nasce a mãe já percebe que a criança é difícil, chora muito, tem dificuldade para dormir, tem medo de tudo, dificuldade de ir para escola, dificuldade para ficar sob os cuidados de outras pessoas, etc.
Há também os fatores ambientais como o reforço da evitação, ou seja a criança tem medo de alguma coisa e a família querendo proteger não o incentiva a enfrentar e superar os medos. Pais super protetores ou controladores limitam a interação da criança com o ambiente, mães que querem fazer tudo pela criança, ou mães intrusivas que não a deixam   aprender por si mesma.
Existe também a possibilidade de transmissão de medos, a criança aprende a ser medrosa, ansiosa, preocupada vendo os adultos se comportando assim. Por exemplo, pais muitos preocupados com a segurança quando sai à rua,  mantém os vidros sempre fechados, fazem muitos comentários sobre os perigos da vida, estão ensinando seus filhos a serem ansiosos sem saberem, e  a criança acaba aprendendo que o mundo é um lugar muito mais perigoso do que é de verdade.
Eventos estressantes na infância também podem colaborar pra formar uma pessoa ansiosa, morte de pessoas queridas, entrada na escola de forma traumática, etc.

O Transtorno de Ansiedade Generalizada tem cura?

Na terapia existe uma série de técnicas que o psicólogo aplica, tais como a exposição cognitiva, o controle da preocupação, relaxamento progressivo, prevenção de resposta, técnicas de resolução de problemas, enfim existem muitos caminhos.
Tanto a Terapia Cognitiva Comportamental, que é uma terapia objetiva, voltada pra resultados como a psicanálise trabalham muito bem este quadro. Logo no inicio da psicoterapia o psicólogo faz uma lista de metas terapêuticas, você sabe que a terapia deu efeito prático porque você  compara a lista que fez no inicio e os ganhos que teve no decorrer da terapia. Não é só uma sensação subjetiva de bem estar. É possivel uma constatação concreta de mudanças no seu modo de levar a vida.

O que é a psicologia propõe para resolver esse problema?

Há boas opções para tratamento do transtorno da ansiedade generalizada em várias linhas terapêuticas. Tanto a TCC - Terapia Cognitiva Comportamental – como a psicanálise trabalham muito bem tantos os aspectos cognitivos, ou seja os pensamentos, as idéias os conteúdos mentas, como o comportamento e  as atitudes. Durante o tratamento o psicólogo aplica a reestruturação cognitiva, ou seja trabalha o que cada uma dessas preocupações significam, quando   começaram, qual a causa - a origem desse sofrimento, e trabalha também a carga emocional com os exercícios psicológicos.
Existe uma técnica  chamada “Treino no Manejo da Ansiedade” - são exercícios que o psicólogo ensina na clínica e você leva como lição de casa, vai aplicando na sua vida cotidiana. Dentro deste treino de manejo de ansiedade o psicólogo ensina as quatro habilidades de enfrentamento por meio de vários tipos de relaxamentos: relaxamento progressivo, o relaxamento sem tensão, a respiração correta, imagens de relaxamento, e o relaxamento por sinais.
É importante tratar a TAG pois é muito comum que apareçam conjuntamente depressão ou pânico tornando o quadro incapacitante para este paciente.
Existe tratamento. Não deixe a ansiedade tomar conta de sua vida. Controle-a antes de ser controlado por ela. Fale com um de nossos psicólogos.